Jasper Neurologista
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“Mas ela lembra perfeitamente de coisas que aconteceram há 30 anos.”
Essa é uma frase que aparece com frequência quando a família começa a perceber mudanças na memória de alguém próximo.
E ela traz uma questão importante.
Nossa memória não funciona como um único arquivo. Para conseguirmos lembrar de uma informação nova depois, ela precisa primeiro ser registrada.
Por isso, lembrar com detalhes de acontecimentos antigos e ter dificuldade para guardar conversas ou fatos recentes são situações que podem coexistir.
Isso não signif**a, isoladamente, doença de Alzheimer.
O que merece atenção é a mudança: quando as perguntas começam a se repetir, fatos recentes deixam de ser lembrados e isso passa a interferir na rotina ou na autonomia.
No vídeo, explico por que, diante de uma queixa de memória, “o que ela esqueceu?” nem sempre é a pergunta mais importante.
Se você começou a perceber esse tipo de mudança em alguém da sua família, uma avaliação neurológica pode ajudar a entender o que está acontecendo.
Dr. Jasper Guimarães | Neurologista
O perigo de tentar “prever” um AVC é achar que existe tempo para esperar.
Na internet, é cada vez mais comum encontrar listas de sintomas que supostamente apareceriam dias antes de um AVC.
O problema é que essa lógica pode levar a uma interpretação perigosa: perceber um sinal neurológico súbito e esperar para ver o que acontece.
Na prática, o raciocínio precisa ser outro.
Quando alguém apresenta uma alteração neurológica súbita — mesmo que dure poucos minutos e desapareça — o mais importante não é tentar descobrir quando um AVC poderá acontecer.
É entender o que aquele episódio pode signif**ar naquele momento.
É justamente por isso que, na neurologia, a duração do sintoma não é o único critério para determinar sua importância.
Um episódio transitório pode exigir avaliação urgente.
AVC não é uma doença para tentar prever pelo calendário.
É uma emergência para aprender a reconhecer.
Se este conteúdo puder ajudar alguém a não esperar diante de um sinal de alerta, salve e compartilhe.
21/09/2026
Receber um diagnóstico de Alzheimer assusta. Mas chegar a ele tarde demais também tem consequências.
Diagnosticar não signif**a apenas colocar um nome naquilo que a família já vinha percebendo.
Signif**a entender o que está acontecendo, avaliar possibilidades de tratamento e cuidado e, principalmente, permitir que o próprio paciente participe das decisões sobre a sua vida enquanto ainda tem autonomia para isso.
Hoje existem opções farmacológicas e não farmacológicas, além de estratégias para preservar independência, segurança e qualidade de vida pelo maior tempo possível. O próprio material da campanha deste ano reforça que o diagnóstico é uma porta de acesso a tratamento, cuidado e suporte.
E ainda precisamos combater uma ideia que atrasa muitas avaliações: demência não é uma parte normal do envelhecimento.
Neste **21 de setembro, Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Alzheimer**, f**a uma mensagem para pacientes e famílias:
Se algo mudou na memória, no comportamento ou na capacidade de realizar atividades que antes eram habituais, não espere necessariamente que a perda de autonomia se torne evidente para procurar avaliação.
O objetivo não é apenas dar um nome ao esquecimento.
É preservar autonomia pelo maior tempo possível e planejar o cuidado.
Diagnosticar cedo não é apenas descobrir o nome de uma doença. É ganhar tempo para cuidar.
Dona Helena, que aparece nesta reportagem, é minha paciente. E acompanhar sua história reforça algo que considero fundamental quando falamos em Alzheimer: o diagnóstico é o começo de uma estratégia de cuidado, não o fim de uma investigação.
Cada paciente chega em um momento diferente, com uma história diferente e, hoje, também com possibilidades terapêuticas que dependem da fase da doença e das características de cada caso.
Por isso, no consultório, minha preocupação não está apenas no resultado de um teste de memória. Está em entender o que mudou na vida daquela pessoa e o que ainda podemos preservar: autonomia, segurança, rotina, vínculos e participação nas próprias decisões.
Foi sobre esse olhar para a memória e para o cuidado que conversei nesta reportagem da TV Gazeta, afiliada da Globo no Espírito Santo.
E talvez essa seja a mensagem mais importante: perceber uma mudança cedo não signif**a antecipar um problema. Signif**a ampliar o tempo e as possibilidades para cuidar.
12/09/2026
Momentos de Agosto de 2026. Coube mais coisas do que estava previsto. A prévia foi superada.
Às vezes, a primeira pessoa a perceber uma mudança não é o paciente. É quem vive ao lado dele.
Um filho que percebe que a mãe está diferente.
O marido que nota reações que antes não existiam.
Alguém da família que começa a ouvir repetidamente a mesma pergunta.
Isso não signif**a automaticamente Alzheimer ou outra demência. Mas também não deveria ser descartado apenas como “coisa da idade”.
Na prática clínica, ouvir a família pode ser uma parte muito importante da avaliação, justamente porque ela consegue comparar aquela pessoa com quem ela sempre foi.
Esse foi um dos temas que pude abordar no Gazeta Meio Dia, em uma reportagem sobre cuidados com a mente.
Você saberia dizer o que mudou primeiro: a memória ou o comportamento?
Quando o esquecimento deixa de ser apenas um esquecimento?
Essa foi uma das questões abordadas em reportagem da TV Gazeta, afiliada da Globo no Espírito Santo, da qual participei recentemente.
Pequenos lapsos de memória podem acontecer com qualquer pessoa. O que chama a atenção é quando existe uma mudança em relação ao funcionamento habitual: os episódios passam a se repetir, começam a interferir nas atividades do dia a dia ou são percebidos também por quem convive com aquela pessoa.
Por isso, um episódio isolado não é suficiente para falar em Alzheimer.
Mais importante é observar a frequência, a evolução e o impacto desses esquecimentos na rotina.
Quando existe uma mudança persistente, investigar é mais seguro do que simplesmente atribuí-la à idade.
Informação também é uma forma de cuidar da memória.
*Trecho de reportagem exibida pela TV Gazeta | Globo – Espírito Santo.*
DrJasperGuimarães
03/09/2026
Zolpidem não é um medicamento que deve ser demonizado. Mas também não deve ser banalizado.
Recentemente, participei de uma reportagem especial de A Tribuna sobre o uso do zolpidem e os riscos associados ao medicamento.
Um dos pontos que destaquei é que, em algumas pessoas, podem ocorrer comportamentos durante o sono sem plena consciência do que está acontecendo. E o maior risco não é o episódio em si, mas suas possíveis consequências: quedas, traumatismos, queimaduras e até acidentes de trânsito.
A discussão, porém, precisa ir além do medicamento.
Quando a insônia se torna crônica, é importante investigar por que aquela pessoa não está dormindo bem e definir uma estratégia de tratamento adequada para o seu caso — que pode envolver mudanças comportamentais e abordagens não medicamentosas, como a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I).
Dormir mal por muito tempo não deve ser normalizado.
E tratar o sono também não deveria se resumir a conseguir dormir naquela noite.
Informação e acompanhamento médico fazem diferença no uso seguro de medicamentos para o sono.
Participação na Reportagem Especial de A Tribuna, publicada em 28 de agosto de 2026.
DrJasperGuimarães
31/08/2026
Congresso Brasileiro de Alzheimer 2026
Dois dias de muita ciência, atualização e troca de experiências em São Paulo.
Estar no Congresso Brasileiro de Alzheimer foi acompanhar de perto um momento de grandes transformações na forma como entendemos, diagnosticamos e tratamos a doença de Alzheimer.
Novos biomarcadores, avanços no diagnóstico precoce, terapias modif**adoras da doença e, principalmente, novas perspectivas para nossos pacientes.
Volto para casa com mais conhecimento, entusiasmo e a certeza de que estamos vivendo uma nova era no cuidado das pessoas com Alzheimer.
📍 São Paulo | 28 e 29 de agosto de 2026
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