Dra. Beatriz Raz

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Photos from Dra. Beatriz Raz's post 04/10/2026

🎁 SORTEIO AFASIA PRO 1 E AFASIA PRO 2

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⚠️ IMPORTANTE:
ESTE SORTEIO É EXCLUSIVO PARA FONOAUDIÓLOGOS.
Os participantes devem ser Fonoaudiólogos e ter perfil relacionado à Fonoaudiologia.

Não serão aceitos perfis falsos, comerciais ou de sorteios.

🎁 Serão 2 ganhadores distintos:
um ganhará o Afasia Pro 1 e o outro, o Afasia Pro 2.

📅 Resultado: 19/10

03/10/2026

Você provavelmente reconhece os primeiros segundos de "Love Me Again", de John Newman. Mas talvez não conheça a história que cercava o cantor quando sua carreira começava a ganhar força.

Em 2012, aos 22 anos, Newman descobriu um tumor na hipófise depois de começar a perder a visão. O tumor pressionava o nervo óptico e precisou ser retirado cirurgicamente. A cirurgia foi realizada por via endonasal e o episódio interrompeu sua carreira temporariamente.

Anos depois, em 2016, houve uma recidiva do tumor e Newman passou por novo tratamento, incluindo radioterapia.

A história de Newman também ajuda a compreender a complexa relação entre cérebro, voz e comunicação. Cantar envolve muito mais do que as pregas vocais: exige a integração entre respiração, produção vocal, articulação, audição, memória, ritmo, melodia e controle motor.

Na Fonoaudiologia, o olhar para essa integração é fundamental para avaliar, compreender e acompanhar alterações na fala, na voz e na comunicação.

No caso de Newman, o tumor estava na hipófise, e não nas principais regiões corticais relacionadas à produção da fala ou do canto. Seu caso mostra justamente que um tumor cerebral não significa necessariamente perda da fala ou da voz. Os efeitos dependem da localização, do tamanho e das estruturas que ele comprime ou compromete.

Porque, por trás de uma voz que emociona, existe um cérebro inteiro trabalhando em perfeita sintonia.

Photos from Dra. Beatriz Raz's post 02/10/2026

Organizar letras pode fazer parte da reabilitação da escrita na afasia.

No Anagram and Copy Treatment (ACT), o paciente recebe apoio para organizar letras e construir uma palavra-alvo. Depois, copia essa palavra e tenta escrevê-la novamente sem o modelo.

A proposta é fortalecer o acesso à forma escrita das palavras, ampliando possibilidades de comunicação.

Estudos com poucos participantes observaram melhora na escrita após esse tipo de intervenção, por vezes associado ao Copy and Recall Treatment (CART). São resultados promissores, mas não significam que os ganhos se estendam automaticamente a toda a linguagem ou à cognição.

No Monte Palavras, meu material publicado pela Editora Matrix, o desafio é formar diferentes palavras a partir das letras disponíveis. A manipulação de letras aproxima as tarefas, embora a dinâmica do material seja diferente do protocolo ACT — e os estudos citados não tenham avaliado o Monte Palavras.

Na prática clínica, vale olhar além da palavra formada: qual é o objetivo da atividade? Quanto apoio o paciente precisa? Ele consegue escrever depois, sem o modelo? Essa palavra tem utilidade no seu cotidiano?

O recurso ganha sentido quando sua aplicação está ligada às necessidades de cada pessoa.

Salve este carrossel e compartilhe com quem trabalha com reabilitação da linguagem!

• Referências: Beeson, Hirsch e Rewega (2002), Aphasiology; Aziz, Razak e Garraffa (2020), Behavioral Sciences.

01/10/2026

Nesta Semana Mundial de Conscientização sobre a Demência Frontotemporal (DFT), o caso de Bruce Willis ajuda a compreender uma das formas pelas quais a doença pode se manifestar.

A DFT é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente os lobos frontal e temporal do cérebro, regiões relacionadas à linguagem, comportamento, personalidade e tomada de decisões.

No caso de Bruce, as alterações de linguagem estiveram entre os primeiros sinais observados. Antes do diagnóstico de DFT, ele recebeu o diagnóstico de afasia e passou a apresentar dificuldade para encontrar palavras, trocar termos, compreender frases mais complexas e organizar sua expressão. Durante seus últimos trabalhos como ator, chegou a precisar de ponto eletrônico para acompanhar suas falas.

Quando a perda da linguagem acontece de maneira progressiva, pode estar relacionada à afasia progressiva primária, uma condição neurológica associada à degeneração das regiões responsáveis pela linguagem.

A Fonoaudiologia acompanha essas alterações ao longo da evolução da doença, trabalhando a comunicação e buscando preservar as habilidades existentes pelo maior tempo possível. Também pode desenvolver estratégias alternativas de comunicação e orientar familiares e cuidadores.

A DFT ainda não tem cura. O acompanhamento multiprofissional, porém, é importante para o manejo dos sintomas e para preservar a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida.

A linguagem também conta uma história sobre o cérebro.

Photos from Dra. Beatriz Raz's post 30/09/2026

De 28 de setembro a 4 de outubro, acontece a Semana Mundial de Conscientização sobre a Demência Frontotemporal (DFT), uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre uma doença que pode afetar comportamento, personalidade e comunicação.

Nas formas linguísticas da DFT, conhecidas como Afasia Progressiva Primária, as alterações de linguagem podem estar entre os primeiros sinais. A pessoa pode apresentar dificuldade para encontrar palavras, construir frases, compreender o que é dito ou manter uma conversa.

A Fonoaudiologia tem um papel grande e importante no acompanhamento da DFT: Embora ainda não exista tratamento capaz de interromper a progressão da DFT, a terapia pode contribuir para preservar habilidades e favorecer a comunicação pelo maior tempo possível.

O acompanhamento é individualizado e pode incluir estratégias para facilitar a comunicação, como pistas visuais, recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa e adaptações na rotina. O objetivo é valorizar as habilidades preservadas e encontrar novas formas de facilitar a comunicação diante das mudanças provocadas pela doença.

A orientação de familiares e cuidadores também faz parte desse processo. Dar mais tempo para a pessoa responder, reduzir distrações, adaptar a forma de conversar e utilizar recursos visuais são estratégias que podem tornar as interações mais eficientes.

Com a progressão da doença, a Fonoaudiologia também pode atuar nas alterações de deglutição, considerando a segurança, a autonomia e a qualidade de vida.

Na DFT, a comunicação pode mudar, mas o cuidado também pode encontrar novos caminhos.

Informação também transforma o cuidado!

Photos from Dra. Beatriz Raz's post 29/09/2026

Um estudo com 12 adultos com afasia investigou como diferentes perguntas podem influenciar a capacidade de contar histórias a partir de imagens, incluindo duas pinturas de Norman Rockwell.

Os pesquisadores observaram que imagens complexas, por si só, não garantem que a pessoa com afasia consiga construir uma narrativa. Quando a orientação era apenas descrever a cena, os participantes tendiam a citar personagens, objetos e ações, sem estabelecer uma sequência clara dos acontecimentos.

Por outro lado, quando eram estimulados a pensar no que aconteceu antes, no que estava acontecendo naquele momento e no que poderia acontecer depois, 9 dos 12 participantes conseguiram produzir pelo menos uma narrativa.

Essa mudança também apareceu na linguagem: os participantes passaram a usar mais verbos no passado e a organizar melhor as ações que davam continuidade à história.

O estudo sugere que a maneira de conduzir a atividade pode fazer toda a diferença. Em vez de perguntar apenas “O que você está vendo nesta imagem?”, o Fonoaudiólogo pode estimular a construção de uma história com perguntas como:
* O que você acha que aconteceu antes dessa cena?
* O que está acontecendo agora?
* Por que isso aconteceu?
* O que você acha que vai acontecer depois?

Essa abordagem pode ajudar a trabalhar a organização temporal, as relações de causa e consequência, o uso de verbos e a construção de narrativas mais coerentes.

A principal mensagem do estudo é que, na reabilitação da afasia, não basta escolher uma boa imagem: a forma como conduzimos a atividade também pode favorecer a produção da linguagem e a construção de histórias.

Você já tinha usado as figuras de Rockwell na terapia de linguagem?

28/09/2026

Afasia Pro 1 e Afasia Pro 2: materiais que estão conquistando espaço nas terapias!

A reabilitação da fala e da linguagem exige estratégia, estímulos direcionados e atividades com propósito. Foi pensando nas necessidades reais da prática clínica que nasceram os materiais Afasia Pro.

• Afasia Pro 1: trabalha a organização por categorias, estimulando as relações semânticas e favorecendo o acesso lexical.

• Afasia Pro 2: chega em sua segunda edição com novos estímulos visuais, auxiliando no acesso às palavras, na organização do pensamento e na estimulação da memória, atenção e linguagem.

Do consultório para a prática, os materiais vêm conquistando espaço entre os profissionais e fazendo a diferença nas sessões de terapia.

Mais do que atividades, são ferramentas para estimular a comunicação de forma funcional e significativa.

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27/09/2026

“Você fala demais.”
“Sua risada é muito alta.”
“Você chama muita atenção.”
“Você é muito dramática.”
“Isso não é para você.”

Às vezes, de tanto ouvir essas frases, a gente começa a acreditar que precisa falar mais baixo, rir menos, esconder o que sente e ocupar menos espaço.

Mas ninguém deveria precisar apagar partes de si para ser aceito.

Neste mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental e à valorização da vida, vale lembrar que a forma como nos expressamos também faz parte de quem somos.

A voz não é apenas som. É identidade, expressão, presença e, muitas vezes, a possibilidade de dizer aquilo que ficou guardado por tempo demais.

É nesse encontro entre comunicação, identidade e bem-estar que a Fonoaudiologia também se faz presente, especialmente no cuidado com a voz, a linguagem e a expressão, respeitando a singularidade de cada pessoa.

Que a gente aprenda a não confundir sensibilidade com fraqueza, espontaneidade com exagero e autenticidade com excesso.

Você não precisa florescer de um jeito que agrade a todos. Precisa ter espaço para ser quem é!

26/09/2026

Uma demonstração da Neuralink, empresa de neurotecnologia cofundada por Elon Musk, mostrou como a tecnologia pode ajudar pessoas que perderam a capacidade de falar a se comunicarem novamente. Em um vídeo divulgado pela companhia, um homem com esclerose lateral amiotrófica (ELA) consegue expressar uma declaração de amor à esposa usando apenas a atividade cerebral.

Terence “Terry” Mandable, morador de Washington, D.C., recebeu o diagnóstico de ELA em 2024 e perdeu progressivamente a fala. Ele é o terceiro participante do estudo clínico VOICE, que investiga o uso de interfaces cérebro-computador para recuperar a comunicação de pessoas com graves limitações na fala.

O sistema funciona por meio de um implante cerebral que capta sinais elétricos de regiões do cérebro envolvidas na intenção de falar. Com o auxílio de inteligência artificial, esses padrões são interpretados e transformados em palavras, que aparecem em uma tela e podem ser reproduzidas em voz sintetizada.

Na demonstração, Mandable pensou na frase “eu te amo”, que foi convertida em texto e reproduzida em voz alta para sua companheira, Lori. Um detalhe torna a experiência ainda mais pessoal: a voz utilizada foi reconstruída a partir de gravações antigas, buscando preservar o timbre que ele tinha antes da doença.

O avanço vai além do controle de cursores ou de outros dispositivos por meio do pensamento. A proposta é permitir que pessoas com limitações severas de comunicação expressem palavras e frases de maneira mais direta, aproximando a tecnologia de uma necessidade fundamental: manter a conexão com quem amam.

Apesar do resultado, o sistema Telepathy ainda é experimental e não tem autorização da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, para uso comercial geral. A empresa também ressalta que uma demonstração individual não garante os mesmos resultados para outros pacientes.

Photos from Dra. Beatriz Raz's post 25/09/2026

A pedidos os stories de ontem vieram para o feed!

Em 2018, participei da International Conference of Aphasia, em Aveiro, Portugal, e tive a alegria de ver um trabalho do qual fiz parte publicado na revista internacional Aphasiology.

O estudo “Implicit and explicit learning in the treatment of agrammatism in patients with Broca’s aphasia” avaliou 6 pessoas com afasia de Broca e agramatismo, comparando duas estratégias terapêuticas: a Mapping Therapy, associada principalmente à aprendizagem explícita, e a ORLA – Oral Reading for Language in Aphasia, relacionada à aprendizagem implícita.

Os resultados mostraram efeitos diferentes: a Mapping Therapy apresentou ganhos principalmente na produção escrita, enquanto a ORLA mostrou resultados mais expressivos na produção oral.
Essa experiência também atravessou minha prática profissional. O Construtor de Frases nasceu como uma tentativa de reproduzir princípios da Mapping Therapy em um material terapêutico, unindo conhecimento científico, elaboração e prática clínica.

Tenho muito orgulho da nossa ciência brasileira e uma gratidão enorme por tudo que aprendi durante meus anos na USP, especialmente com a querida Profa. Letícia e a querida Marcela Silagi.

Um verdadeiro sonho poder levar a ciência para a prática — e ver esse conhecimento continuar produzindo frutos tantos anos depois.

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