Dra. Beatriz Raz
Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Dra. Beatriz Raz, Saúde/Beleza, São Paulo.
Há duas semanas, falamos sobre a cirurgia de medialização das pregas vocais realizada por Jon Bon Jovi, procedimento indicado para melhorar o fechamento das pregas vocais e favorecer uma produção vocal mais eficiente. Agora, o cantor voltou às manchetes após interromper um show devido a uma crise de sinusite. Mas será que uma coisa tem relação com a outra?
Na maioria dos casos, não. A sinusite é uma inflamação dos seios da face, geralmente desencadeada por infecções virais, bacterianas ou processos alérgicos. Ela não é uma consequência esperada da cirurgia vocal. No entanto, seus sintomas podem interferir significativamente na qualidade da voz.
Durante uma crise, é comum haver congestão nasal, aumento da produção de secreção, dor ou pressão na face e gotejamento de secreção para a garganta. Além de alterar a ressonância da voz, deixando-a mais "anasalada", essa secreção pode irritar a laringe, provocar tosse, pigarro e aumentar a vontade de limpar a garganta. A respiração pela boca, frequente nesses casos, também resseca o trato vocal e prejudica a vibração das pregas vocais.
Para quem vive da voz, como cantores, professores, atores e locutores, essas alterações podem comprometer o controle da afinação, da resistência vocal e da qualidade da emissão. Em alguns casos, insistir em cantar durante uma crise pode aumentar o risco de sobrecarga vocal.
Na Fonoaudiologia, entendemos que uma voz saudável depende do equilíbrio entre respiração, ressonância, articulação e funcionamento adequado da laringe. Por isso, mesmo quando o problema não está diretamente nas pregas vocais, alterações nas vias aéreas superiores, como a sinusite, podem impactar o desempenho vocal e merecem atenção.
Nem toda alteração na voz começa na laringe. Às vezes, ela tem origem no nariz e nos seios da face.
29/07/2026
Duas pessoas com afasia podem ter o mesmo diagnóstico e apresentar dificuldades completamente diferentes. Enquanto uma encontra obstáculos para lembrar o nome dos objetos, outra compreende bem a conversa, mas tem dificuldade para organizar as palavras. Há quem se comunique principalmente pela fala, e quem utilize a escrita, gestos, desenhos ou recursos tecnológicos para se expressar.
A recuperação também não segue um único caminho. Algumas pessoas evoluem rapidamente; outras continuam conquistando novos avanços meses ou até anos depois. Por isso, a reabilitação precisa ser individualizada, respeitando as necessidades, as potencialidades e os objetivos de cada paciente.
Na Fonoaudiologia, estimular a linguagem vai muito além de pedir para "dar o nome da figura". Trabalhar nomeação, acesso lexical, memória semântica e fluência verbal significa ativar diferentes redes cerebrais envolvidas na comunicação, favorecendo a reorganização dessas conexões por meio da neuroplasticidade.
É justamente por isso que a escolha dos estímulos faz tanta diferença. Imagens funcionais, organizadas por categorias e semelhantes aos objetos encontrados no dia a dia facilitam a associação, a evocação das palavras e a transferência desse aprendizado para situações reais de comunicação.
O Afasia Pro 1 foi desenvolvido com esse propósito: oferecer um material terapêutico prático, funcional e baseado em estratégias que fazem sentido para a reabilitação da linguagem.
Porque cada pessoa com afasia é única. E a terapia também deve ser.
A cantora e compositora Carly Simon, de 83 anos, revelou recentemente que convive com a doença de Parkinson há alguns anos. A notícia despertou uma dúvida comum: quem recebe esse diagnóstico ainda pode cantar?
A resposta é sim.
O Parkinson é uma doença neurodegenerativa que reduz a produção de dopamina e compromete o controle dos movimentos. Além dos tremores, também pode afetar a respiração, a fala, a voz e a deglutição.
Na voz, o problema não é uma lesão nas pregas vocais, mas alterações no funcionamento da laringe causadas pela rigidez muscular e pela lentidão dos movimentos. Isso pode dificultar o fechamento das pregas vocais, provocando voz mais fraca (hipofonia), rouquidão, monotonia, menor projeção, fadiga vocal e dificuldade para sustentar notas longas.
Ainda assim, o diagnóstico não significa o fim da carreira artística. Cantores como Neil Diamond, Eduardo Dussek, Morten Harket (a-ha) e a própria Carly Simon mostram que é possível seguir na música. Cada pessoa evolui de forma diferente, mas muitas conseguem continuar cantando com tratamento e adaptações.
A Fonoaudiologia tem papel fundamental nesse processo. Métodos como o LSVT LOUD® (programa intensivo de terapia fonoaudiológica para fortalecer e aumentar a intensidade da voz em pessoas com Parkinson) ajudam a melhorar a projeção vocal, a inteligibilidade da fala e a comunicação. Além disso, o canto pode ser um importante aliado na reabilitação, estimulando respiração, coordenação vocal e qualidade de vida.
A voz pode mudar com o Parkinson, mas ela não precisa se calar. Com diagnóstico precoce, tratamento e reabilitação fonoaudiológica, muitas pessoas conseguem preservar a comunicação e continuar fazendo o que amam: cantar.
Você conseguiu ler aquelas palavras que passaram rapidamente na tela?
A sensação é de que seus olhos acompanharam tudo, mas, na realidade, foi o cérebro quem fez grande parte do trabalho.
A leitura é uma das habilidades mais complexas do cérebro humano. Em poucos milissegundos, diferentes regiões trabalham em conjunto para transformar letras em significado. O córtex visual identifica os símbolos, enquanto áreas responsáveis pela linguagem, memória, atenção e funções executivas interpretam as palavras e o contexto da mensagem.
Com a experiência, o cérebro deixa de reconhecer apenas letras isoladas e passa a identificar palavras inteiras como padrões visuais. É por isso que leitores experientes conseguem compreender muitas palavras quase instantaneamente e até antecipar o que vem a seguir em uma frase.
É nesse princípio que se baseiam algumas técnicas de leitura dinâmica, que procuram reduzir a subvocalização (a "voz" que ouvimos mentalmente durante a leitura), ampliar o campo visual e diminuir movimentos desnecessários dos olhos. Essas estratégias podem aumentar a velocidade de leitura em determinadas situações.
Mas existe um ponto importante: ler mais rápido nem sempre significa compreender melhor. Quando o texto é mais complexo, o cérebro precisa de tempo para interpretar informações, estabelecer relações entre as ideias e consolidar o aprendizado.
Para a Fonoaudiologia, a leitura vai muito além da visão. Ela depende da integração entre linguagem, memória, atenção, processamento visual e raciocínio. Por isso, alterações neurológicas ou cognitivas podem comprometer essa habilidade, tornando a avaliação e a reabilitação fundamentais.
Da próxima vez que você conseguir ler palavras em alta velocidade, lembre-se: mais do que um feito dos seus olhos, esse é um exemplo da extraordinária capacidade do cérebro humano.
Referências: Dehaene S. Reading in the Brain (2009); Rayner K. et al. Psychological Science in the Public Interest (2016).
26/07/2026
Vivemos em uma cultura que valoriza estar ocupado o tempo todo. Mas a ciência mostra que momentos de pausa não são perda de tempo — eles fazem parte do funcionamento saudável do cérebro.
Um estudo publicado na revista Nature por pesquisadores do Instituto Médico Howard Hughes (EUA) revelou que o cérebro continua processando informações mesmo quando estamos distraídos, descansando ou simplesmente sem uma tarefa específica.
Durante esses momentos, diferentes redes cerebrais permanecem ativas, organizando experiências, fortalecendo memórias e criando conexões que poderão ser utilizadas no futuro. Em outras palavras, o cérebro aproveita as pausas para "colocar a casa em ordem".
Além disso, períodos de descanso estão associados a diversos benefícios:
- fortalecem a consolidação da memória;
- favorecem o aprendizado;
- reduzem os efeitos do estresse;
- ajudam a recuperar a atenção e a concentração;
- estimulam a criatividade e a resolução de problemas;
- contribuem para a saúde emocional e o bem-estar.
Para a Fonoaudiologia, isso também é importante. Habilidades como linguagem, memória, comunicação e aprendizagem dependem de um cérebro que tenha tempo para processar as informações recebidas. Nem sempre aprender significa estar estudando ativamente; muitas vezes, o cérebro continua trabalhando nos bastidores.
Então, neste domingo, permita-se desacelerar. Leia um livro sem pressa, caminhe, observe a natureza, ou simplesmente fique alguns minutos sem fazer nada.
Às vezes, o melhor que você pode fazer pela sua mente é justamente dar a ela um tempo para continuar trabalhando em silêncio.
Referência: Huang et al. Nature (2026); Howard Hughes Medical Institute.
"Perdi a voz."
Foi assim que o dublador Márcio Seixas, conhecido por dar voz ao Batman, descreveu o período em que gravava intensamente: horas seguidas de dublagem durante o dia e trabalho no rádio à noite.
Mas por que isso acontece?
Nossa voz é produzida pela vibração das pregas vocais. A cada palavra, elas se aproximam e vibram centenas de vezes por segundo. Quando essa atividade se prolonga por muitas horas, sem tempo suficiente para recuperação, os tecidos podem entrar em sobrecarga, favorecendo rouquidão, fadiga vocal e até perda temporária da voz.
E existe um detalhe importante: fazer uma voz grave ou marcante, como a do Batman, não significa "forçar a garganta". Profissionais da voz utilizam técnica para projetar a voz com eficiência, coordenando respiração, apoio, ressonância e articulação. Quanto melhor essa coordenação, menor tende a ser o desgaste vocal.
Mesmo assim, uma rotina intensa pode cobrar seu preço. Longas jornadas de gravação, poucas pausas, sono insuficiente, hidratação inadequada, estresse, refluxo, alergias e infecções respiratórias são fatores que aumentam o risco de alterações vocais.
Por isso, dubladores, atores, professores, jornalistas, cantores e todos os profissionais que usam a voz como instrumento de trabalho precisam de cuidados específicos. Assim como um atleta aquece antes de uma competição, a voz também se beneficia de aquecimento vocal, desaquecimento, pausas, boa hidratação, sono de qualidade e acompanhamento fonoaudiológico para manter um uso saudável e eficiente.
Perder a voz após uma demanda extrema pode acontecer. Mas quando a rouquidão persiste por mais de duas semanas, se torna frequente ou vem acompanhada de dor e esforço para falar, é hora de procurar avaliação com o otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo.
Mais de 20 anos após o lançamento de Complicated, Avril Lavigne continua sendo reconhecida logo nas primeiras notas. Mas o que torna uma voz tão única?
E será que o Auto-Tune é o responsável por isso?
A resposta está muito além da tecnologia.
Quando cantamos, o cérebro coordena uma verdadeira orquestra de funções ao mesmo tempo. Áreas responsáveis pela audição, linguagem, memória, emoção e planejamento motor trabalham em conjunto para controlar a respiração, a vibração das pregas vocais e os movimentos precisos da língua, dos lábios e da mandíbula.
É essa integração que permite manter o ritmo, a afinação, a intensidade e a expressividade durante uma música.
O Auto-Tune pode corrigir pequenas variações de afinação, mas ele não cria uma voz marcante. Ele não substitui técnica vocal, controle respiratório, articulação, ressonância nem a identidade vocal de cada cantor.
É justamente por isso que reconhecemos artistas como Avril Lavigne em poucos segundos: nosso cérebro identifica características únicas do timbre, da forma de falar e cantar, da ressonância e da maneira como cada pessoa produz sua voz — uma verdadeira "impressão digital sonora".
Por trás de um grande sucesso musical existe muito mais do que talento ou tecnologia: existe um cérebro trabalhando em perfeita sintonia com todo o sistema vocal.
A Fonoaudiologia estuda exatamente essa incrível conexão entre cérebro, voz e comunicação.
A medula espinhal é muito mais do que um feixe de nervos. Ela é uma extensão do sistema nervoso central e funciona como uma verdadeira "rodovia" de comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.
A cada segundo, milhões de impulsos nervosos percorrem essa estrutura, levando comandos do cérebro para músculos e órgãos e trazendo de volta informações sobre toque, dor, temperatura e posição do corpo. Ela também participa dos atos reflexos, permitindo respostas rápidas a determinados estímulos.
Protegida pelas meninges e pelo líquido cefalorraquidiano, a medula mede cerca de 45 cm em um adulto. Apesar do tamanho, sua função é essencial: uma lesão pode comprometer os movimentos, a sensibilidade e diversas funções do organismo.
Mas a medula não atua sozinha. Quando falamos, compreendemos uma conversa ou engolimos um alimento, diferentes regiões cerebrais trabalham de forma integrada. A área de Broca participa do planejamento da produção da fala, a área de Wernicke é fundamental para a compreensão da linguagem, o córtex motor coordena os movimentos voluntários, enquanto o cerebelo e os gânglios da base refinam sua precisão e fluidez. Os comandos seguem pelo tronco encefálico e pelos nervos cranianos até os músculos da face, da língua, da faringe e da laringe. Já a medula contribui para o controle da postura e da respiração, fundamentais para uma comunicação eficiente.
Na Fonoaudiologia, compreender essa integração é essencial para avaliar e reabilitar pessoas com doenças neurológicas. A terapia estimula a neuroplasticidade, favorecendo a reorganização dos circuitos neurais e contribuindo para a recuperação da comunicação, da linguagem, da fala, da voz, da cognição e da deglutição.
💙 Conhecer o sistema nervoso é compreender como o cérebro transforma pensamentos em palavras, movimentos e conexão com o mundo.
21/07/2026
Esquecer um compromisso de vez em quando faz parte da vida. Mas quando a memória, a linguagem, o raciocínio ou a capacidade de realizar atividades do dia a dia começam a mudar de forma persistente, esses sinais merecem atenção.
Um estudo nacional realizado com mais de 5 mil brasileiros com 60 anos ou mais revelou um dado preocupante: 83,1% das pessoas que apresentavam critérios para demência nunca haviam recebido um diagnóstico médico. Em outras palavras, quatro em cada cinco idosos podem estar convivendo com a doença sem saber.
A pesquisa também mostrou que o subdiagnóstico é mais frequente entre pessoas com menor escolaridade, moradores de regiões mais vulneráveis e idosos que vivem sozinhos, evidenciando que o acesso ao diagnóstico ainda é desigual no Brasil.
Identificar a demência precocemente permite iniciar intervenções, orientar a família, planejar os cuidados e contribuir para uma melhor qualidade de vida.
Nesse contexto, a Fonoaudiologia tem um papel fundamental. A avaliação da linguagem, da comunicação, da cognição e da deglutição auxilia na identificação de alterações, no planejamento terapêutico e na preservação da funcionalidade e da autonomia pelo maior tempo possível.
É importante lembrar: perdas importantes de memória, dificuldades para se comunicar, desorientação e alterações do raciocínio não devem ser encaradas como uma consequência natural do envelhecimento.
Quanto mais cedo esses sinais forem investigados, maiores são as oportunidades de oferecer cuidado, suporte e qualidade de vida para a pessoa e sua família.
Compartilhe esta informação. Falar sobre demência também é uma forma de promover diagnóstico precoce e cuidado.
Referências
• Miguel ACC, et al. Bridging the gap: estimates of undetected dementia in Brazil. Age and Ageing. 2026.
• Alzheimer's Association. 2025 Alzheimer's Disease Facts and Figures. Alzheimer's & Dementia. 2025.
Clique aqui para requerer seu anúncio patrocinado.
Categoria
Site
Endereço
São Paulo, SP