Dani Fioravante
- Psicóloga clínica infantil e do adolescente
- Mentora de mães
-Mestre em Análise do Compor
06/10/2026
Quando uma criança apresenta ansiedade, é natural que os pais tentem diminuir seu sofrimento.
Ela tem medo de dormir sozinha? Um dos pais f**a no quarto até ela dormir. Não consegue entrar na escola? A mãe acompanha até a sala. F**a muito ansiosa diante de uma apresentação? A família pede que seja dispensada.
No curto prazo, funciona: a criança sente alívio, e os pais também, mas esse alívio imediato precisa chamar nossa atenção.
Na literatura, chamamos de acomodação familiar as mudanças que familiares fazem em seus comportamentos, rotinas ou demandas em resposta aos sintomas da criança.
Existe uma diferença importante entre acolher o sofrimento e reorganizar o ambiente para que a criança não precise entrar em contato com aquilo que provoca ansiedade.
Se, sempre que a ansiedade aparece, uma situação é retirada, uma demanda é cancelada ou outra pessoa passa a fazer aquilo que a criança evita, precisamos investigar qual papel essas respostas podem estar exercendo na manutenção do problema.
Isso não signif**a que os pais causaram a ansiedade, muito menos que devam ser culpabilizados. Na maioria das vezes, eles estão tentando fazer o que parece mais protetivo: diminuir o sofrimento do filho.
Por isso, na avaliação, eu não investigo apenas os sintomas da criança.
Quero entender: como a rotina familiar mudou? O que ela deixou de fazer sozinha? Quais situações passaram a ser evitadas? Que garantias solicita repetidamente? Como os pais respondem à ansiedade? E o que acontece quando tentam não acomodar?
Essas respostas revelam variáveis importantes para a formulação.
E orientação parental, aqui, não deveria se resumir a: “vocês precisam colocar limites”.
O trabalho é ajudar a família a construir outra resposta: “Eu reconheço que isso é difícil. Vou acolher você, mas também ajudá-lo a desenvolver recursos para enfrentar.”
Na clínica, às vezes parte da manutenção do problema não está apenas no comportamento da criança, mas nas contingências que foram sendo construídas ao redor dele.
Psicóloga, você investiga acomodação familiar nos casos de ansiedade infantil?
Salve este conteúdo para sua prática clínica.
Antes de investir mais em conteúdo, anúncios ou networking, existe uma pergunta que poucas psicólogas fazem: que experiência uma família tem dentro da sua clínica?
Talvez conquistar mais pacientes não comece com alcançar mais pessoas. Comece pela experiência de quem já confiou um filho aos seus cuidados.
Clareza na comunicação, prudência diante do diagnóstico, explicação do processo e uma orientação parental que não culpabiliza também ajudam a construir confiança e adesão.
Porque existe uma diferença entre os pais saírem pensando:
“Ela sabe muito.” E saírem pensando: “Ela compreendeu meu filho e eu entendo o caminho que estamos construindo.”
Essa experiência também faz parte da sua autoridade profissional.
Compartilha esse vídeo com quem precisa cuidar mais da forma como conduz a experiência do seu atendimento.
03/10/2026
Hoje cedo, correndo ao lado do João, eu fiquei pensando nisso.
A maternidade me ensinou que acompanhar alguém não é escolher o caminho por ele.
É estar perto.
É perceber o ritmo.
É saber quando incentivar, quando esperar e quando simplesmente seguir ao lado.
E talvez seja justamente isso que eu mais gosto na psicologia: entender que cada pessoa tem um tempo, uma história, um jeito próprio de se desenvolver.
Com os filhos, a gente começa achando que precisa ensinar tudo.
Até perceber que, muitas vezes, o nosso papel é criar espaço para que eles descubram quem são.
O João vai crescendo, ganhando autonomia, construindo suas próprias referências… e eu vou aprendendo a mudar também.
A maternidade exige que a gente saiba estar perto sem ocupar todo o espaço.
Cuidar sem controlar.
Orientar sem determinar.
E, principalmente, permanecer disponível.
Hoje nós corremos juntos.
Talvez daqui a pouco ele corra na frente.
E eu espero ter sabedoria para entender que isso também é parte do caminho.
No fim das contas, acho que a psicologia e a maternidade se encontram justamente aí: no desafio de acompanhar o desenvolvimento de alguém sem tentar escrever a história por essa pessoa.
E talvez seja essa uma das maiores formas de amor:
estar ao lado enquanto o outro aprende a seguir sozinho.
Concorda comigo?
O adolescente está agressivo, isolado e só quer f**ar no celular. Mas e se o celular não for o problema?
Nem todo comportamento que preocupa os pais deve ser o primeiro alvo da intervenção.
Na clínica, antes de perguntar “como faço isso parar?”, precisamos compreender “o que está mantendo esse comportamento?” Porque comportamentos parecidos podem exigir intervenções completamente diferentes.
Assista e compartilhe esse vídeo!
01/10/2026
Um estudo recente acompanhou quase 9 mil adolescentes e encontrou uma associação que merece a atenção de quem trabalha com saúde mental na adolescência.
Mas cuidado: o resultado não é tão simples quanto “smartphone faz mal”.
Arraste para o lado e entenda o que o estudo realmente encontrou e o que essa evidência pode mudar na prática clínica.
Será que os pais de crianças e adolescentes com TDAH têm condutas piores na educação de seus filhos?
A resposta é muito mais complexa e traz implicações importantes para a prática clínica.
Dê o play e entenda o que essa evidência realmente muda para nós, psicólogos.
30/09/2026
Um estudo com dados de mais de 2,8 milhões de crianças e adolescentes traz novas evidências sobre a relação entre telas, desenvolvimento e saúde mental.
Mas os resultados exigem mais cuidado do que simplesmente concluir que “tela faz mal”.
Arraste para o lado e entenda o que o estudo realmente encontrou e o que isso muda para nós, psicólogos.
“Ela não aceita não.”
Essa frase descreve o que os adultos estão observando, mas ainda diz muito pouco sobre o caso.
Por isso, antes de escolher uma técnica, existe uma pergunta fundamental: O que acontece antes e depois desse comportamento?
Mas outra criança pode apresentar uma explosão aparentemente semelhante e ter dificuldades importantes de regulação emocional e funções executivas.
O comportamento observado pode ser parecido. A formulação clínica, não.
É por isso que, na clínica infantil, não basta perguntar “como faço essa criança parar de fazer isso?”
Precisamos compreender porque esse comportamento ocorre naquele caso, quais variáveis estão relacionadas a ele e onde a intervenção precisa acontecer.
Comportamento é dado. Não é, sozinho, formulação clínica.
Se você é psicóloga e quer desenvolver seu raciocínio clínico para além do diagnóstico, me siga. Por aqui, vamos aprender a pensar o caso para decidir melhor o que fazer diante dele.
“Ele sabe o que precisa fazer. Mas, se eu não f**ar em cima, ele não faz.”
Esse é um relato comum de pais de crianças com TDAH, e pode revelar muito mais do que um suposto problema de comportamento.
Existe uma diferença importante entre saber o que fazer e conseguir transformar esse conhecimento em ação de forma autônoma.
Iniciar uma tarefa, organizar etapas, administrar o tempo, manter o objetivo, monitorar o próprio comportamento e inibir impulsos envolvem funções executivas.
Por isso, diante de uma criança que não cumpre uma tarefa, a pergunta não deveria ser apenas:
“Por que ela não faz?”
Mas também:
“Quais habilidades essa tarefa exige e quais delas essa criança ainda tem dificuldade de executar?”
Porque, quando interpretamos uma dificuldade executiva apenas como preguiça, desobediência ou falta de responsabilidade, podemos aumentar a cobrança sem desenvolver a habilidade que está faltando.
E é aqui que entra o raciocínio clínico.
O diagnóstico não encerra a compreensão do caso. Ele é o começo de novas perguntas.
Se você é psicóloga e quer aprofundar seu raciocínio clínico na atuação com crianças e adolescentes, me siga. É sobre isso que vamos conversar por aqui.
24/09/2026
Psicólogos que atendem adolescentes: vocês já perguntam aos pacientes como eles utilizam IA?
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