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07/10/2026
Eu não gosto do malfeito.
Mas gosto do que não saiu exatamente como deveria.
Gosto do cabelo quando já desbotou um pouco.
Do cabelo despenteado.
Da roupa levemente desalinhada.
De um sorriso torto.
Gosto do bolo que batumou no meio.
Do café morno.
Do arroz que grudou mais do que devia.
Do pão que ficou tempo demais no forno.
Tenho carinho por esses pequenos desvios da receita.
Pelas coisas que eram para sair de um jeito, mas saíram de outro.
Não f**aram ruins. Só não f**aram iguais.
Gosto do que escapa discretamente do padrão, do que não serviria de modelo para todo mundo.
Talvez porque eu não goste tanto das coisas perfeitas.
Gosto quando elas perdem um pouco da perfeição
e, sem querer, f**am particulares.
03/10/2026
“Você só vê meu lado bom. Veja também o ruim e continue gostando de mim.”
01/10/2026
Estava eu na padaria quando vi um casal entrando.
Jovens, arrumados, roupa formal. Ela usava um vestido branco curto, de cetim, e carregava uma pastinha na mão. Não precisei de muita investigação: tinham acabado de sair do cartório que f**a em frente à padaria.
Recém-casados.
Olhei para eles e, espontaneamente, pensei:
Felicidades pelo primeiro casamento.
Pelo primeiro.
E foi essa palavra que me assustou.
Não pensei simplesmente “felicidades pelo casamento”, como se deseja a dois recém-casados. Meu pensamento já carregava uma continuação. Como se aquele casamento viesse naturalmente acompanhado da grande probabilidade de um segundo. Talvez um terceiro.
Como se, em algum momento da minha vida, uma chave tivesse virado e eu tivesse deixado de acreditar que as pessoas se casam uma vez só.
Sim, é verdade: algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço não pararam no primeiro casamento. Eu mesma não parei.
Mas todo mundo precisa de mais de um?
Quando foi que o “para sempre” deixou de ser a minha primeira hipótese?
A romântica não morreu em mim. Tenho certeza de que ela ainda está em algum lugar. Talvez apenas tenha trocado os óculos.
Continuo acreditando no amor.
Só, sem me dar conta, mudei o grau da lente com que enxergo o para sempre.
E perceber isso me assustou.
E você?
Ainda acredita no primeiro casamento?
No último?
Em todos?
Ou também já mudou o grau da lente com que enxerga o para sempre?
28/09/2026
Segundou 35°C
04/09/2026
O chapéu
Recentemente, perdi o meu melhor chapéu.
Era aquele que combinava com tudo, que me acompanhava havia muitos anos. Confortável, elegante, familiar. Vestia minha cabeça perfeitamente, quase como se tivesse sido feito sob medida para mim.
Fiquei triste. Chateada. Por alguns dias, até um pouco perdida, procurando por ele e refazendo mentalmente os lugares por onde havia passado.
Até que percebi uma coisa:
eu não tinha perdido a minha cabeça.
Era só um chapéu.
E perder um chapéu não é o mesmo que perder a cabeça.
Ele podia ser bonito, antigo e importante. Podia ter feito parte de mim por muito tempo. Mas nunca foi quem eu sou.
Quando ele se foi, eu continuei aqui.
Talvez eu ainda sinta falta. Talvez nenhum outro vista exatamente do mesmo jeito.
Mas a minha cabeça continuou no lugar.
E talvez seja isso que a gente precise lembrar quando alguma coisa importante vai embora: nem tudo o que perdemos leva uma parte de nós consigo.
Às vezes, perdemos aquilo que nos acompanhava, aquilo que nos cabia perfeitamente, aquilo que já parecia parte da nossa própria forma de existir.
E ainda assim, permanecemos.
Afinal, perder o que fazia parte da nossa vida não signif**a perder a nós mesmos.
O chapéu foi embora.
Eu fiquei.
Assisti The Drama e fiquei pensando menos sobre a história em si e mais sobre uma pergunta que o filme deixa ecoando:
Até que ponto a gente realmente conhece a pessoa que ama?
A gente se apaixona por uma história que conhece. Por aquilo que o outro nos conta, pelo que vive conosco, pelo que escolhe mostrar. Mas ninguém chega a um relacionamento como uma página em branco.
Antes de nós, já existiam outras versões daquela pessoa. Experiências, escolhas, desejos, dores, segredos, contradições. E, enquanto estamos juntos, outras versões ainda vão surgir.
Talvez amar alguém seja também aceitar que nunca teremos acesso a uma versão definitiva do outro.
Mas existe uma diferença entre conhecer todas as camadas de alguém e conseguir acolhê-las.
E talvez seja aí que o amor fique realmente difícil: quando descobrimos algo que não cabe na imagem que construímos daquela pessoa.
The Drama me fez pensar justamente nisso:
até onde vai o nosso amor quando a pessoa que amamos deixa de coincidir com a pessoa que imaginávamos conhecer?
Para amar alguém talvez não seja necessário conhecer todas as suas camadas. Mas, ao conhecê-las, conseguimos acolher a pessoa amada em sua totalidade ? Ou mudam aquilo que somos capazes de viver juntos?
Queremos Luiz Inácio Lula da Silva laaaa nos debates
Flávio Bolsonaro e família na cadeia
E Renan Santos na presidência
Vou de 14!
💛🖤1️⃣4️⃣🐆
Nossa missão é ter um futuro glorioso
Partido Missão 14 🐆
03/08/2026
Segunda-feira. A semana começa do jeito que a gente escolhe atravessá-la. Que não falte coragem para recomeçar. ✨
Como você atravessou sua segunda e pretende caminhar durante a semana ?
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